…à geracao rasca…

Quando não se suporta o discurso da esquerda e da direita do nosso próprio país, é-se do quê? De que partido? Acredita-se em quem?

Ultimamente tenho lutado por me localizar definitivamente em termos políticos. Recebi muitos valores importantes, alguns deles tidos como de esquerda, de uma das pessoas que mais me influenciaram antes de ceder à mortalidade de forma prematura.

Sempre discordei com praticamente todos os ideais fundamentais de esquerda que me tentaram incutir até aos 15 anos e cedo descobri que não sou de esquerda, mas nunca deixei de abominar e me sentir triste com o discurso da dita direita em Portugal. Uma velhaca de cheiro a mofo ultrapassado, sempre a defender “as familias” (esta frase pode levar a pensar que sou da dita nova direita fashion de paizinhos de nome pomposo que comprava armas em nome do país durante o dia e posava para a Caras durante a noite, mas nada disso… igualmente degradante).

No fundo detesto o discurso que feito um balanco sério, apenas apregoa a missa para mais um poiso, mais uma voltinha, mais uma viagem de quatro anos em troca de meia duzia de mentiras em que nem os próprios mentirosos acreditam, criando diferenças e guerras fingidas, fugindo ao indispensável, quase unanimamente mas também receosamente aceite, e fazendo uso desse receio escondido se vão eternizando no seu ninho, esquecendo que são eles própios a razão do atraso de um país que também é o meu.

Depois de pensar sobre muitas das questões que me preocupam dei por mim a descobrir que no fundo sou um pragmático, um cidadão que se sentirá orgulhoso de poder contribuir com uma parte do seu trabalho para aqueles que ainda lutando, devido a contrariedades ou pouca sorte, vão vivendo com dificuldades (não para os que apenas não querem, e sim… ao contrário do discurso da esquerda, muito seres humanos estão-se nas tintas pois para esses casos o imobilismo é caminho mais fácil que a luta sem tréguas), talvez um liberal moderado com enorme crença que as entidades da concorrencia devem ser das mais altas instâncias de um país e por natureza geridas por pessoas de isenção (soa a idelíco e utópico, mas conheço gente assim). O norte da Europa já conhece os beneficios da moderação há bastante tempo… Que é possível haver razões e boas ideias em ambos os discursos desde que civilizados e ponderados (algo que não abunda no topo da politica em Portugal).

No fundo, acho que ao contrário de toda a esquerda, não vejo o homem apenas como aquele ser inocente, trabalhador sempre esforçado que é apenas prejudicado por transcendentes influências laterais (quase sempre patronais) e externas à sua personalidade. Habituei-me a ver de tudo e conhecer de tudo. Talvez isso me tenha moldado e feito com que chegasse aos 25 anos a pensar desta forma.

Claro que muita gente que eu conheço de diferentes partidos já me estará a catalogar e outras coisas mais. Estavam desejosos… Eu sei… Uns talvez contentes com este post… Outros tristes mas talvez pouco surpreendidos. Alguns possivelmente até, estarão a insinuar que no fundo sou mais um tachista em preparação, como os próprios. Mas descontraiam. Nada disso. Gosto do trabalho. Do privado. Do lutar sem amigalhaços de sauna ou padrinhos politicos de familia a impulsionar seja o que for. Mas numa coisa sinto-me mais leve… A nível politico, sei o que sou. Por infelicidade do destino, poucos no meu país defendem o mesmo (os que conheço estao a seguir o mesmo caminho de “deslocalização” levados pela descrença e pelo facto do seu discurso não ter espaço de manobra ou aplicação possivel visto serem sempre os mesmos marretas a controlar o curso e o baixo nível do discurso).

A mim e a esses, resta apenas a tristeza de saber que o país continuará mal entregue durante longos anos e a certeza que é preciso partir à descoberta daquilo com que realmente nos identificamos (à semelhanca dos descobrimentos, navegar é preciso) e aguardar pelo fim do reinado da verdadeira geracao rasca e marreta com ambições pessoais egoístas e topo de gama, tentando manter a esperança que, aquando do seu fim, nao faça por nos deixar a sua fraca e viciada descendência…

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